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ZAPPHY – Antes de aprofundarmos nas questões musicais, faço-lhes a pergunta que acredito TODOS a fazem: porque o nome pouca vogal? Humberto Gessinger - É uma bincadeira com nossos sobrenomes, difíceis de pronunciar. Talvez a melhor explicação esteja na letra de Poca Vogal, a canção.
ZAPPHY – O trabalho de vocês está disponível no site para ser baixado totalmente grátis. É uma forma de vocês alcançarem um público maior ou é apenas um ajuste aos novos tempos, onde a pirataria rola solta aqui neste país? Humberto Gessinger - Nunca me interessei muito pelos mecanismos da indústria. É uma pena quando um disco chama mais atenção pela forma como é veiculado do que pelo conteúdo. Acho que o rumo que as coisas estão tomando é perigoso. Mas não sou especialista no assunto.
ZAPPHY – Nós tivemos acesso ao trabalho de vocês e acredito que ele é bastante intimista, contrário ao que algumas bandas e artistas tem feito (megashows). Podemos afirmar que esta “intimidade” (estar mais próximo dos corações e dos ouvidos do público) é uma forma de voltar aos tempos do banquinho e do violão? Humberto Gessinger - É. Um dia eu estava na academia enquanto passava um DVD da Madonna. Eu pensei : Caramba, quero fazer a coisa mais diferente disso possível!
ZAPPHY – Vocês fizeram parte da história do rock ‘n’ roll brasileiro. Para vocês que viveram o boom do rock nacional e de certa forma, o encurtamento do espaço para este tipo de sonoridade, o que acontece ou aconteceu com o cenário musical brasileiro? A mídia pode ser responsabilizada pelo fechamento de certas tendências musicais? Humberto Gessinger - O que se chama de "midia" esta perdendo seu poder. Acho isso bom. Não dá mais para ser um receptor de informação passivo. Mas, quem for atrás, vai achar muita coisa boa. ' ZAPPHY – Nos anos 80, as bandas de rock cantavam músicas de protesto que até hoje podem ser cantadas e utilizadas. Porém, nos últimos anos, mesmo que a corrupção, violência, descaso sejam realidade, não se vê mais bandas cantando ideologias e letras mais trabalhadas. É o fim das músicas com conteúdo e o início de uma era de músicas feitas para se tornarem hits nas rádios? Humberto Gessinger - São movimentos pendulares. Houve uma época em que não pegava bem ter letras mais elaboradas. A cena achava chatice. O besteirol tomou conta , mas sinto que o pêndulo está mudando de sentido. Rádios e TVs não tem mais o poder que tinham. Nem sempre o que pinta ali é o que está nos corações e mentes.
ZAPPHY – Como a mídia e os fãs das bandas Engenheiros do Hawaii e Cidadão Quem vêm recebendo este novo trabalho? Existe algumas canção deste novo trabalho que foi escrita para satisfazer esta tríade (mídia + fãs das duas bandas + novos fãs)? Humberto Gessinger - Não quero ser visto como produto, por isso nunca penso nos fãs como consumidores. O maior sinal de respeito de um artista em relação ao seu público é não pensar nele. Temos que seguir nossas idéias e paixões e torcer que algum maluco queira andar ao nosso lado, ouvir nosso som.
ZAPPHY – E como é o show de vocês? É um show mais intimista só com as músicas do Pouca Vogal ou vocês também tocam outras músicas? Humberto Gessinger - A base são as 8 inéditas do PV. Mas tocamos muitas músicas dos EngHaw e da CQ. É um show 3 em1. As pessoas se surpreendem com a sonoridade que a gente consegue como duo. Duca faz percussão com os pés e eu tenho um teclado que também toco com os pés . É uma sonoridade bem rica. Guitarra, violão, viola caipira, piano, harmônicas, percussão, teclado. Muito divertido. Lembra aquela estética de músico de rua, one-man-band.
ZAPPHY – E quais são os novos projetos para frente? Um DVD ou um novo disco do Pouca Vogal são possibilidades? Humberto Gessinger - Já gravamos, CD e DVD ao vivo em Porto Alegre. Chega às lojas em novembro. Com participações de Luciano Leindecker em 3 músicas e a orquestra Poa Pops em outras 3.
ZAPPHY – Um mensagem aos fãs de vocês e aos leitores da revista ZAPPHY. Humberto Gessinger - Estou muito feliz com meu trabalho e muito afim de compartilhar esta felicidade. Devo ficar ao menos 2 ou 3 anos na estrada com o PV e espero encontrar todo mundo que se interesse pelo nosso som. A vida é muito curta pra ser pequena. Às vezes parece que o mundo está com torcicolo, todos olhando para o mesmo lado. Temos que explorar coisas novas. Novas maneiras de fazer coisas antigas. |





