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| ZAPPHY – Primeiramente, vamos explicar uma coisa direitinho, você é mineiro, carioca ou é paulista? (risos)Gerson Couto - Nasci em Santos (SP), depois nos mudamos para João Monlevade, onde morei por quase oito anos, daí fui estudar em Belo Horizonte e, depois, Rio de Janeiro, onde moro. Sou quase um cigano (rsss)ZAPPHY – Você é do que podemos chamar de “safra nova” da literatura brasileira, onde já tivemos o prazer de entrevistar o autor Leonardo Brum. Como você vê este movimento de editoras estarem abrindo maior espaço e investindo mais em novos talentos?Gerson Couto - As editoras estão vendo que existe material de qualidade igual, e até superior ao lançado lá fora, já que grande parte da literatura fantástica consumida no Brasil é de origem estrangeira. O público que consome esse estilo é enorme, e, com o surgimento de autores como André Vianco, que abriu muitas portas, ficou mais fácil para nós, novos autores de realismo fantástico, fazer parte de uma editora. Mas não se iluda, as editoras não estão tão abertas quanto parece, a não ser que você escreva auto-ajuda. (rsss)ZAPPHY – Como é que você começou a escrever? O Leonardo nos disse que ele começou há muito tempo, mas só amadureceu a idéia bem mais tarde. E você?Gerson Couto - Escrevo desde os dez, onze anos. Desde pequeno sempre tive vontade de escrever uma boa história, onde realmente valesse a pena investir tanto esforço. E isso aconteceu aos vinte e dois anos, quando Hemisfério-Dorso surgiu na minha cabeça. Desde então, nunca mais parei.ZAPPHY – Você, tal qual o Leonardo, também permite em seu site fazer o download do primeiro capítulo do livro. É uma forma de despertar o interesse de um possível leitor? Pergunto isso, porque vivemos em uma era onde ler deixou de ser legal (para algumas pessoas) e os novos talentos às vezes não têm tanto espaço junto à mídia. É isso mesmo ou é apenas uma impressão minha?Gerson Couto - A internet tem tudo para nos ajudar, basta saber usá-la. Deixar o 1* capítulo disponível é semelhante a deixar uma música de trabalho solta na internet. Tudo que é de graça é mais acessível, e o interesse se torna maior. Se as pessoas gostam, então compram. Durante muito tempo o ato de ler soou como algo chato, boboca, típico de quem não tem amigos ou vida social (rsss). Mas isso mudou, e muito, principalmente depois do surgimento de Harry Potter, que resgatou a paixão pela leitura. Muitos, após ler a saga do bruxo, não pararam mais, procurando mais livros e, felizmente, adquirindo ficção brasileira. Acho que a questão sobre os novos talentos na mídia é o medo das editoras investirem demais no desconhecido, e perder dinheiro. Todas querem um “Harry Potter” da noite para o dia. E, como em nosso país não é freqüente o hábito da leitura, é preciso sim divulgar bastante o trabalho dos novos autores, em todas as mídias possíveis, para que se tornem conhecidos. Mostrar que existe sangue novo correndo pela literatura brasileira.ZAPPHY – Fale um pouco desta editora que publicou o seu livro, e o mais importante: investiu em seu sonho! Ela têm portas abertas para novos talentos? Gerson Couto - A Multifoco é uma editora especializada em publicar novos talentos. Na época em que procurava por editora (Essa procura durou uns bons anos), recebi três propostas para a publicação de Hemisfério-Dorso, mas optei pela Multifoco devido à liberdade e respeito com qual meu trabalho foi recebido, pois, ultimamente, o que menos encontramos é respeito pela obra de um iniciante, a não ser que você escreva auto-ajuda, de uma forma que, obviamente, venderá milhares de exemplares (rsss). E sim, a Multifoco continua publicando novos talentos. Para entrar em contato com eles, acesse o site www.editoramultifoco.com.brZAPPHY – Fale um pouco do seu livro. Não li ele inteiro, mas me parece que tudo é centrado em cima do jogo Gamão e daí tudo acontece. De onde surgiu a idéia de escrever “Hemisfério-Dorso”? E este livro é o primeiro de uma trilogia, certo? Existe alguma chance futura do livro ser filmado?Gerson Couto - Em Hemisfério-Dorso, o gamão é a chave de entrada do livro. O ponto onde tudo foi organizado, para dar início a algo. Então, nada melhor que ele para simbolizar a primeira parte da história. Quando se joga, se escolhe algo. É preciso escolher uma ação, uma jogada, para continuar. E Hemisfério-Dorso fala bastante, nas entrelinhas, sobre a questão da escolha, de como elas podem nos levar aos caminhos mais improváveis.Hemisfério-Dorso conta a história de uma sociedade de Centauros, habitantes de um planeta concebido de forma completamente diferente dos demais. Donos de vidas pacatas, jamais imaginavam que, acima de suas cabeças, e abaixo de seus pés, desconhecidos tentavam, a todo custo, chegar às terras que habitavam. O tempo passou, trazendo surpresas um tanto quanto desagradáveis. Procuraram por respostas, mas tudo que encontraram foi mais perguntas. Um clima estranho pairava no ar. Passado e presente pareciam se misturar. A situação se tornara caótica. Os Centauros viram-se obrigados a agir. Todo o grupo se encontrava unido, na esperança de entender o que acontecia. Entre eles, Lad. Deuses, Centauros, seres desconhecidos, e grandes mistérios habitam o curioso universo de Hemisfério-Dorso.Adoraria que o livro fosse filmado. Mas, primeiro, precisa ser traduzido para o inglês, e publicado no exterior. Quem sabe, daqui algum tempo...ZAPPHY – Quais são os projetos futuros, é claro, além dos dois próximos livros que completam a trilogia? O que você ainda não escreveu, ou assunto, que você morre de vontade de escrever a respeito?Gerson Couto - Agora estou trabalhando na terceira parte da trilogia, pois a segunda parte já está pronta. Também estou trabalhando em O Vale, que é um projeto composto por quatro autores, e um deles é o Leonardo. O universo que compõe Hemisfério me dá muitas possibilidades, escrever outras histórias que, necessariamente, não precisam de continuação. E isso certamente o farei. No momento tenho mais três projetos em mente, todos ligados ao realismo fantástico. Quando terminar a terceira parte, e O Vale, é certo que começarei um desses projetos. Mais à frente, quero escrever algo voltado para o terror.ZAPPHY – Que dicas ou conselhos você daria para uma pessoa que tem vontade de escrever ou até publicar um livro? Que caminhos ele deve seguir?Gerson Couto - Ler bastante, escrever muito. Ter disciplina, porque ninguém chega a lugar algum de outra forma. Mostrar seu trabalho para pessoas que não irão falar bem somente porquê são seus amigos. Agüentar os muitos NÃO que receberão de várias editoras, certamente das mais desejadas, e não se deixar frustrar com isso. Nem, após a publicação, acreditando que será um novo Harry Potter, porquê não vai. Acreditar no seu trabalho, pesquisar quais editoras têm a ver com seu estilo, enviá-lo, e nunca desistir. E ter estrutura para adentrar nessa vida artística, porque senão é melhor nem começar.ZAPPHY – Uma pergunta que sempre me inquieta e em off eu apertei o Leonardo. Como é escrever, ser autor de obras em um país que investe TÃO POUCO na educação? Isso te incomoda?Gerson Couto - É bastante complicado. Primeiro porque ninguém te apóia de verdade quando você se coloca como escritor, mas não tem nada publicado. Então seu único e real apoio é você. Pensar que o dinheiro vai demorar a entrar em sua vida, ao seguir essa carreira, também é outro forte fator. Mas não podemos desistir, e é isso que faz toda a diferença. Mas tem que ser mais do que um apaixonado, porque o início é tortuoso e a caminhada é péssima, até chegarmos num lugar confortável. Se me incomoda? Claro! Ler é algo delicioso, mas que é muito mal trabalhado. É só pensar em como as coisas começam. O início do gosto, do estímulo pela leitura, acontece, infelizmente, na escola. A maioria dos livros que ela exige que a criança leia quase sempre são uma chatice. Foi essa minha experiência quanto estudante. Sempre estudei em bons colégios, e todos os livros que lembro ter lido em sala de aula eram na verdade uma grande baboseira, como se não tivéssemos capacidade para entender mais do que o óbvio (rsss). Tudo era muito chato, e sem possibilidade de questionamento, o que faz com que os jovens não se interessem pela leitura. Para mim, as únicas coisas agradáveis na escola eram a biblioteca, onde podia ler o que bem entendesse, e dançar na festa junina (rssss). Como podem estimular os jovens a ler, se um castigo bastante usado era obrigá-los a ler, ou escrever, quando faziam algo errado? (No meu caso não era nenhum dos dois, pois costumava ser expulso da sala, rsss). Não criei asco pela leitura porque minha irmã e minha mãe me ensinaram a ler, muito antes de eu adentrar na escola.ZAPPHY – Uma mensagem para os leitores do jornal ZAPPHY.Gerson Couto - Primeiramente, agradecer à ZAPPHY pelo excelente espaço, onde estamos divulgando nossos trabalhos. Convido vocês a conhecer mais sobre Hemisfério-Dorso através do site www.gersonjvcouto.com, onde podem baixar o 1* capítulo, link direto para compra, e outras informações. Agradecer também aos inúmeros e-mails e mensagens no orkut que tenho recebido, elogiando o livro! É isso aí! Muita saúde, paz, diversão e dinheiro para todos nós! Grande abraço! |





