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ZAPPHY – Você lançou há pouco tempo o livro “Um mundo perfeito”. Neste trabalho, pela própria capa, parece que a temática está diretamente relacionada ao tema OVNIS e ETs. Fale um pouco sobre este seu novo trabalho. O que o leitor pode esperar?

Leonardo Brum - Bom, a história do livro trata do desaparecimento de todos os moradores de uma ilha no litoral de Vitória chamada Pedra-Luz. O mais intrigante, entretanto, é o fato de que eles deixaram suas coisas para trás dentro da mais absoluta normalidade do cotidiano: havia comida sobre o fogão em uma das casas, uma TV ligada em outra, um carro com o motor ainda ligado na beira da estrada. Mas todas as pessoas sumiram. A ilha era cercada de lendas e mistérios como o de um diamante azul que era capaz de realizar os desejos das pessoas. Ele é o principal símbolo da história, e tem relação direta com o sumiço das pessoas. Mas há outros simbolismos importantes que compõem a história: a questão ufológica está presente num episódio que ocorre com Clarice, a personagem principal. Um Mundo Perfeito trata também de sentimentos humanos: a cobiça, o egoísmo, a inveja, e do ideal de felicidade que desejamos para nossas vidas.

ZAPPHY – Hoje em dia, muitas editoras e a mídia em geral têm dito que escrever livro acabou e que a internet vai acabar com o mercado da leitura. Como você, que está no meio deste fogo cruzado, vê este ofício? O livro vai acabar ou vai acabar se adaptando a este novo formato de mercado?

Leonardo Brum - Não creio que a internet seja uma ameaça ao mercado de leitura. As pessoas se apaixonam por boas histórias, e a Internet aproxima o leitor do livro à medida que torna a informação mais acessível. Hoje em dia, você encontra até mesmo sites contendo pesquisas de preços para praticamente todo tipo de livro. Através da internet, muitas editoras novas vêm surgindo, abrindo espaço para novos escritores e novos estilos de literatura. O chamado livro eletrônico ainda não pegou, pois é incômodo ler na tela do computador. É pouco prático se você quiser fazer uma anotação, por exemplo. Talvez algum dia a tecnologia torne o e-book mais acessível e prático, mas, em geral, as pessoas gostam de manusear o livro que está comprando. Quem gosta de ler aprecia o prazer de fazer suas anotações particulares ou sublinhar passagens que considera importantes. E, afinal, o livro eletrônico não compõe uma estante, que é uma espécie de troféu ou sinônimo de admiração para todo bom leitor.

ZAPPHY – Você me disse que escreve desde os 16 anos e hoje conseguiu um grande tento que é a publicação de um dos seus trabalhos. No Brasil existem várias pessoas que têm muita vontade de escrever algo e acabam desistindo por falta de espaço ou de apoio. Qual é o melhor caminho para estas pessoas em sua opinião, já que você deve ter tido, por várias vezes, falta de apoio e portas fechadas e recusas?

Leonardo Brum - O escritor no Brasil é um profissional batalhador. Depois de encontrar uma editora que tenha interesse em publicar seu livro, ele precisa saber divulgar sua obra para que ela possa chegar ao conhecimento das pessoas. Mas um bom caminho para o escritor iniciante é procurar editoras de pequeno porte, pois elas estão se espalhando cada vez mais pelo país, interessadas em uma diversidade de estilos de literatura. Hoje em dia há bastante espaço para a ficção, o terror, o suspense, a fantasia, e cada vez mais o escritor brasileiro tem sido valorizado nesse sentido. Brasileiro é um povo muito criativo, talvez pela multiplicidade geográfica e cultural onde brotam experiências de vida singulares e bastante diferenciadas. Nada mais natural do que buscar entre os próprios autores brasileiros uma referência para boas leituras e histórias. 

Vale ainda lembrar que, antes de buscar uma editora para publicar o primeiro livro, é importante guardar algumas economias, pois algumas editoras costumam cobrar uma parte do orçamento na publicação.

Mas, acima de tudo, é primordial que o escritor acredite e valorize o que escreveu, e não desista se receber uma recusa da primeira editora que procurou.

ZAPPHY – Fale um pouco do trabalho de lançamento do livro. Você já teve noites de autógrafos na cidade do Rio em BH também, certo? E agora? Um trabalho junto aos novos leitores (estudantes) também é um projeto seu?

Leonardo Brum - Fiquei muito feliz ao perceber a calorosa receptividade das pessoas nas noites de autógrafos que participei. É um ótimo momento para se conhecer o público que está lendo o livro. Uma jovem me relatou que chorou no final da história. Algumas pessoas contaram que leram Um Mundo Perfeito em dois ou três dias. É muito gratificante saber que a história que a gente escreveu está agradando as pessoas. A idéia de fazer um site é uma espécie de agradecimento pelo carinho recebido também. Além de dados sobe o livro, como sinopse, primeiro capítulo, trechos da história, resolvi incrementá-lo com portais que abordem outros assuntos que tenham relação com a história. Assim criamos, no site, o Portal dos Diamantes e o Portal UFO, que trazem relatos e pesquisas sobre a produção de diamantes e sobre casos envolvendo discos voadores, respectivamente. Esse último foi criado recentemente, e traz, na estréia, uma análise sobre o Caso Varginha, ocorrido em 1996.

Futuramente, como você curiosamente adivinhou, pretendo criar um Portal de divulgação de histórias de novos autores. É um projeto que já está em fase de avaliação. O Brasil tem ótimos escritores que esperam apenas uma oportunidade para mostrar às pessoas o potencial de seu trabalho.

ZAPPHY – Em seu site, você oferece aos futuros leitores a oportunidade de baixar um capítulo do livro. Como surgiu esta proposta? É um novo formato para que a pessoa leia e tire as suas próprias conclusões e se vale à pena ou não comprar o livro?

Leonardo Brum - Achei interessante disponibilizar no site o primeiro capítulo porque ele dá uma boa idéia do mistério presente em toda a obra. As pessoas poderão avaliar o livro não apenas pela capa (que, aliás, achei interessantíssima, um belo trabalho da editora Novo Século), mas também poderão conhecer o estilo de narrativa, a forma como escrevo e o que esperar do livro como um todo.

O primeiro capítulo também é interessante porque ele lança o terrível mistério no ar: o que teria causado, afinal, o sumiço das pessoas? Costumo dizer que há uma dica valiosa no prefácio feito pelo escritor Nelson Magrini que pode ajudar a responder esta pergunta: Cuidado com o que você deseja, que um dia você pode conseguir...

ZAPPHY – O livro, pelas informações que obtive, tem tido ótima vendagem. E agora, na cabeça do escritor Leonardo Brum, qual o próximo livro? Você vai manter a temática ou pensa em ir para novos rumos?

Leonardo Brum - Quando escrevo, procuro criar nas histórias um mistério crescente. Gosto de segurar a curiosidade do leitor até o último instante, as pessoas descobrem que cada capítulo a mais é importante porque traz um novo elemento, uma sugestão, uma possibilidade que vai se tornando cada vez mais forte no cunho da história, até culminar na grande descoberta final. Mas, além de todo o suspense, procuro trazer uma mensagem de fundo, uma reflexão que possa ser útil para o nosso mundo contemporâneo. Em Um Mundo Perfeito, há uma valorização da necessidade de união entre as pessoas, e da responsabilidade de sermos capazes de responder perante as escolhas que fazemos nas nossas vidas.

O próximo livro já está em fase de finalização. Trata-se de uma história de vampiros com uma abordagem diferente de tudo o que já foi escrito sobre o tema. Estou escrevendo um livro conjuntamente com outros três escritores, intitulado O Vale, com a história ambientada numa cidade onde estranhos fenômenos acontecem. Os leitores podem esperar uma grande dose de mistério e terror neste livro, que deve ser lançado ainda este ano. Há um outro livro em desenvolvimento, envolvendo a polêmica questão ufológica em sua forma mais completa, além da idéia para um quarto livro.

Não pretendo parar. Se as pessoas estão se identificando com o que escrevo, isso é um privilégio que me cria uma responsabilidade imensa, e pretendo responder à altura escrevendo boas histórias para meus leitores.

ZAPPHY – Em seu site, várias pessoas, desde outros escritores a leitores falam super positivamente sobre a sua obra. Está na hora também da mídia prestar um pouco mais de atenção nas obras dos autores brasileiros?

Leonardo Brum - Certamente. Existem vários autores com enorme potencial no Brasil, como já expomos anteriormente, e isso precisa ser valorizado, não somente na mídia televisiva e impressa, mas também nas próprias livrarias, com um maior espaço destinado aos novos autores.

ZAPPHY – Você é mineiro. Ainda guarda algum de tipo de vínculo com a terrinha? Está nos planos visitar Itabira, a terra do imortal Carlos Drummond e agora terra do ZAPPHY?

Leonardo Brum - Já tive a oportunidade de conhecer Itabira há alguns anos, e seria um grande prazer revisitar a cidade. Embora esteja morando no Rio de Janeiro há quatro anos, tenho especial apreço pelas minhas Minas Gerais, inclusive quanto ao clima da região como um todo. Minha própria inclinação para o mistério é fruto de influência mineira. Em Belo Horizonte, minha cidade natal, bem como em outras cidades mineiras, a temperatura é bem mais amena que no Rio e São Paulo, e, quando chove, às vezes faz bastante frio. Tenho uma predileção especial por tempos chuvosos e frios, tempestades e relâmpagos. É normalmente nesse tipo de atmosfera que me sinto mais inspirado para escrever.

ZAPPHY – Uma mensagem final para os leitores da revista ZAPPHY.

Leonardo Brum - Obrigado à revista ZAPPHY o convite pela entrevista. Gostaria de convidar a todos os leitores da revista para conhecer o meu livro Um Mundo Perfeito, que já é sucesso de vendas. Fiquem à vontade para acessar o site do livro, cujo endereço é www.leonardobrum.com.br. No site há o link para com a venda direta nas livrarias. Informem-se lá também sobre como obter um exemplar autografado. E, enfim, obrigado imensamente a todos pelos muitos elogios recebidos no site e no orkut. Um grande abraço!